maiunse · Histórias do destino

Os Arcanos Maiores do tarô — a jornada da vida lida pelos símbolos

Cerca de 6 min de leitura

Entre as 78 cartas do tarô, as 22 que carregam os símbolos mais fortes são chamadas de 'Arcanos Maiores'. Essas 22 cartas não são figuras dispersas ao acaso: são uma única história de crescimento que vai de O Louco (nº 0) a O Mundo (nº 21) — a miniatura da vida comumente chamada de 'A Jornada do Louco'.

A diferença entre Maiores e Menores

O tarô divide-se, em linhas gerais, em 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Se os Menores tratam com minúcia dos eventos e emoções concretos do cotidiano, os Maiores simbolizam os grandes pontos de virada e os temas fundamentais da vida. Quando muitas cartas dos Maiores aparecem numa leitura, entende-se que um fluxo tão mais destinado e marcante está em ação. Por isso, ao começar a aprender tarô, é bom dominar primeiro a história dessas 22 cartas.

A Jornada do Louco — início e aprendizado

O nº 0, O Louco, é o ponto de partida puro, em que nada está definido. Em seguida vêm nº 1 O Mago (vontade e criação), nº 2 A Sacerdotisa (intuição e segredo), nº 3 A Imperatriz (fartura e amor), nº 4 O Imperador (ordem e autoridade) e nº 5 O Hierofante (ensino e tradição), aprendendo, uma a uma, as regras do mundo e a própria força. Essa parte inicial é lida como a etapa em que o ego se forma e se assimilam as estruturas da sociedade.

Provações e transformações — em pleno meio da jornada

A partir do nº 6, Os Enamorados (escolha e relação), a jornada entra em provações e decisões. Passando por nº 7 O Carro (o rompimento da vontade), nº 8 A Força (a coragem interior), nº 9 O Eremita (a introspecção solitária), nº 10 A Roda da Fortuna (a virada) e nº 11 A Justiça (equilíbrio e responsabilidade), a pessoa atravessa as provações. Em especial, nº 12 O Enforcado (a pausa e a mudança de perspectiva), nº 13 A Morte (o fim e o novo início) e nº 16 A Torre (o colapso súbito) assustam facilmente só pelo nome, mas devem ser lidos como a linguagem do crescimento: é preciso esvaziar o velho para que o novo chegue.

As cartas 14 e 15: A Temperança e O Diabo

Entre A Morte (13) e A Torre (16) ficam duas cartas que formam um par. A Temperança (14) mostra um anjo despejando água de uma taça em outra e fala da recuperação depois de um fim: misturar e ajustar sem pressa. O Diabo (15) mostra duas pessoas acorrentadas, mas olhando com atenção as correntes do pescoço estão frouxas o bastante para serem tiradas, e esse é o coração da carta. Por isso O Diabo não é lido como castigo nem maldição, e sim como uma carta que faz você olhar para o que não consegue largar, como apegos, hábitos e dependências. Se A Temperança mostra como recuperar o equilíbrio, O Diabo mostra onde está amarrado o cordão que faz você perdê-lo.

O caminho rumo à plenitude

A segunda metade da jornada é a etapa de recuperação e plenitude. Passando por nº 17 A Estrela (esperança), nº 18 A Lua (angústia e inconsciente), nº 19 O Sol (realização e alegria) e nº 20 O Julgamento (despertar e chamado), enfim, no nº 21, O Mundo, um ciclo se completa. A carta O Mundo significa o fruto do esforço e a inteireza e, ao mesmo tempo, é também o limiar de uma nova jornada. Assim, as 22 cartas desenham um círculo do início (O Louco) à plenitude (O Mundo).

As cartas 8 e 11: o lugar de A Força e A Justiça

No baralho deste site, a carta 8 é A Força e a 11 é A Justiça. Os baralhos antigos da linha de Marselha faziam o contrário, com A Justiça no 8 e A Força no 11, até que Arthur Edward Waite trocou os dois números no começo do século XX. A Ordem Hermética da Aurora Dourada fez as cartas corresponderem ao zodíaco seguindo a ordem das letras hebraicas, e nessa ordem Leão caiu na oitava carta e Libra na décima primeira. A maioria dos baralhos de uso amplo hoje segue a numeração de Waite, mas para quem aprendeu com um baralho de Marselha os números podem parecer trocados, então é mais seguro lembrar das cartas pelo nome do que pelo número.

Posição direita e posição invertida

As cartas de tarô mudam de direção ao serem tiradas. A posição direita, que sai em pé, lê-se como o estado em que a energia da carta se manifesta com fluidez; a posição invertida, que sai de cabeça para baixo, como o estado em que essa energia se bloqueia, se excede ou se volta para dentro. Por exemplo, se O Sol na posição direita é uma realização luminosa, na posição invertida pode ser uma autoconfiança momentaneamente turva. Não é preciso ver a posição invertida como algo sempre ruim; o essencial é entendê-la como a outra face do mesmo símbolo.

Uma carta apontada pelo seu aniversário: a carta de nascimento

Também dá para escolher um dos 22 Arcanos Maiores só com a data de nascimento, sem tirar cartas. A carta de nascimento deste site segue o método apresentado por Mary Greer: você soma o mês, o dia e o ano de nascimento e depois continua somando os algarismos entre si até o total não passar de 22. Quem nasceu em 15 de maio de 1990 obtém 5 + 15 + 1990 = 2010 e 2 + 0 + 1 + 0 = 3, que é a carta 3, A Imperatriz. Quem nasceu em 5 de janeiro de 1975 obtém 1 + 5 + 1975 = 1981 e 1 + 9 + 8 + 1 = 19, que é a carta 19, O Sol, e como uma carta de dois algarismos é somada mais uma vez, 1 + 9 = 10 e 1 + 0 = 1, a carta da alma é a carta 1, O Mago. Quem nasceu em 12 de janeiro de 1980, cujo total cai exatamente em 22 (1 + 12 + 1980 = 1993, 1 + 9 + 9 + 3 = 22), lê o 22 como a carta 0, O Louco, e sua carta da alma é a carta 4, O Imperador, porque 2 + 2 = 4.

Com que frequência os Arcanos Maiores aparecem?

Dissemos que muitos Arcanos Maiores numa tiragem apontam para uma corrente de peso, e a medida desse muitos vem da composição do baralho. Como 22 das 78 cartas são Maiores, uma única carta tem 28,2% de chance de ser um Arcano Maior. Ao tirar três cartas, a chance de aparecer pelo menos um Maior é de 63,6%, algo na verdade comum, e uma Cruz Celta de dez cartas traz em média 2,8 Maiores. Uma tiragem em que cinco ou mais das dez são Maiores aparece só 10,6% das vezes, e uma sem nenhum Maior só 2,8%, então são essas as tiragens que realmente merecem um segundo olhar. Este site embaralha e tira as cartas sem repetição e dá a cada uma a mesma chance de sair em pé ou invertida, então esses números valem exatamente.

Mal-entendidos comuns e a origem das histórias

O mal-entendido mais comum é achar que A Morte (13) anuncia uma morte real, quando o comentário moderno de tarô costuma lê-la como o fim de uma fase e a mudança que vem depois. Também é muito difundida a história de que o tarô é um livro secreto do antigo Egito, mas trata-se de uma hipótese que Antoine Court de Gébelin apresentou em Le Monde primitif em 1781, sem base histórica. As cartas de tarô mais antigas que sobreviveram são as Visconti-Sforza, pintadas na Itália do século XV para uma família nobre. A numeração deste site e seu sistema de leitura em pé e invertida seguem o baralho que Waite idealizou e Pamela Colman Smith desenhou em 1909, e no ano seguinte Waite registrou o significado de cada carta em The Pictorial Key to the Tarot.

Uma vez conhecida a história dos 22 Arcanos Maiores, uma única carta passa a falar com você de forma muito mais rica. Traga à mente a pergunta do seu coração, tire você mesmo a carta do dia e leia a mensagem que o símbolo lhe dirige.